sábado, outubro 31, 2009

I miss

Sinto saudades de respirar o mais profundo possível, como já escrevi antes, perto de sua nuca. E descobrir novidades sem nome e sem solução. Sinto saudades de me perder tentando entender de que tanto você sorria, de que tanto você brilhava, de que tanto você se perdia e se escondia.
Peço licença ao meu ódio tão feio e tão infinito para te amar só mais uma vez. Quero te amar sozinho aqui, no meu quarto "novo", em minha quase nova vida. Quero esquecer todo o nada que você representa e dar contorno aos desenhos que não saem da minha cabeça. Nunca entendi seu coração, nunca entendi seus olhos, nunca entendi suas pernas, mas só por hoje queria poder lamber seu perfume para que ele permanecesse mais, pesasse mais.
É libertador esquecer meu desejo de vingança, a vontade que tenho de explodir sua vida, o vício que tenho de passar mil vezes por dia, em pensamento, ao seu lado. E pisar em cima da sua inexistência e liberdade. Chega disso, só pelo tempo em que durarem estas letras e a música que coloco para reviver você, vou te amar mais esta vez. Vou me enganar mais uma vez, fingindo que te amo às vezes, como se não te amasse sempre.
Eu nunca aceitei a simplicidade do sentimento. Eu sempre quis entender de onde vinha tanta loucura, tanta emoção. Eu nunca respeitei sua banalidade, nunca entendi como podia ser tão escravo de uma vida que não me dizia nada, não me aquietava em nada, não me preenchia, não me planejava, não me findava.
Nós éramos sem começo, sem meio, sem fim, sem solução, sem motivo. Ainda assim, há meses, há séculos que se arrastam deixando tudo adulto demais, morto demais, simples demais, exato e triste demais, eu sinto sua falta com se tivesse perdido meu braço direito.
Esse amor periférico, ainda que não me deixe descoberto o peito, me descobre os buracos. Não são de suas palavras que sinto falta. Não é da sua voz meio burralda e do seu bocejo alto demais para me calar e me implorar menos sentimentos. Não é, tampouco, do seu abraço. Sua presença sempre deixou lacunas e friagens que zumbiam macabramente entre tantas frestas sem encaixe.
Não sinto saudades do seu amor, ele nunca existiu, nem sei que cara ele teria, nem sei que cheiro ele teria. Não existe morte para o que nunca nasceu.
Sinto falta mesmo, para maior desespero e inconformismo do meu coração metido a profundo, de engolir sua simplicidade, me rasgar com sua banalidade, calar sua estupidez, respirar seu ronco, tocar sua inexistência, espirrar com seu perfume.
Sinto falta da perdição involuntária que era congelar na sua presença tão insignificante. Era a vida se mostrando mais poderosa do que eu e minhas listas de certo e errado. Era a natureza me provando ser mais óbvia do que todas as minhas crenças. Eu não mandava no que sentia por você, eu não aceitava, não queria e, ainda assim, era inundado diariamente por uma vida trezentas vezes maior que a minha. Eu te amava por causa da vida e não por minha causa. E isso era lindo. Você era lindo.
Simplesmente isso. Você, uma pessoa sem poesia, sem dor, sem assunto para agüentar o silêncio, sem alma para agüentar apenas a nossa presença, sem tempo para que o tempo parasse. Você, a pessoa que eu ainda vejo passando no corredor e me levando embora, responsável por todas as minhas manhãs sem esperança, noites sem aconchego, tardes sem beleza.
Sinto falta da raiva, disfarçada em desprezo, que você tinha em nunca me fazer feliz, sinto falta da certeza de que tudo estava errado, mas do corpo sem forças para fugir, sinto falta do cheiro de morte que carregávamos enquanto ainda era possível velar seu corpo ao meu lado, sinto falta de quando a imensa distância ainda me deixava te ver do outro lado da rua, passando apressado com seus ombros perfeitos. Sinto falta de lembrar que você me via tanto, que preferia fazer que não via nada. Sinta falta da sua tristeza, disfarçada em arrogância, de não dar conta, de não ter nem amor, nem vida, nem saco, nem músculos, nem medo, nem alma suficientes para me reter.
Prometi não tentar entender e apenas sentir, sentir mais uma vez, sentir apenas a pele lisa, o joelho, a nuca, o umbigo, a virilha. Sinto falta do mistério que era amar a última pessoa do mundo que eu amaria.

quinta-feira, outubro 29, 2009

The fucking waiting

Eu sei que dá vontade, mas não dá pra ligar pro desgraçado e dizer: ei, tô esperando aqui, quando vou saber? vamos parar com essa estupidez de não me amar e vir logo resolver meu problema? Mas amor, não se pede, dá raiva, eu sei.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Perfect

"Eu conheço você Naomi, e eu sei que você é solitária.
E acho que você precisa de alguem que queira você.
Bem, eu quero você.
Então seja corajoso, e me queira de volta!"


Skins.

O resto das coisas

Eu descobri que tentar não ser ingênuo é a nossa maior ingenuidade, eu descobri que ser inteiro não me dá medo porque ser inteiro já é ser muito corajoso, eu descobri que vale a pena ficar três horas te olhando sentado num sofá mesmo que o dia esteja explodindo lá fora.
E quando já não sei mais o que sentir por você, eu respiro fundo perto da sua nuca, e começo a querer coisas que eu nem sabia que existiam.
E aí eu só olhei pra bem longe, muito além daquele Sol, e todo o meu passado se pôs junto com ele. E eu senti a alma clarear enquanto o dia escurecia.
Eu preciso disfarçar que não paro mais de rir, mas aí olho pra você e você também está sempre rindo. Se isso não for o motivo para a gente nascer, já não entendo mais nada desse mundo.
E eu tento, ainda refém de algumas células rodriguianas que vez ou outra me invadem, tentar achar defeito na gente, tentar estragar tudo com alguma sujeira.
Mas você me deu preguiça da velha tática de fuga, você me fez dormir um cd inteiro na rede e quando eu acordei o mundo inteiro estava azul.
Engraçado como eu não sei dizer o que eu quero fazer porque nada me parece mais divertido do que simplesmente estar fazendo. Ainda que a gente não esteja fazendo nada.
Eu, que sempre quis desfilar com a minha alegria para provar ao mundo que eu era feliz, só quero me esconder de tudo ao seu lado...


"Você diz que me quer com todas as minhas vírgulas, eu te quero como meu ponto final."

terça-feira, outubro 27, 2009

This Time

É só que dessa vez eu queria muito que fosse diferente. Dessa vez, com você, eu queria que desse certo. Que eu não tivesse raiva. Eu quero que dê certo, não estraga, por favor. Não estraga não estraga não estraga não estraga.

segunda-feira, outubro 26, 2009

Não há de Quê

"Não há quem não feche os olhos ao comer, não há quem não feche os olhos ao cantar a música favorita, não há quem não feche os olhos ao beijar, não há quem não feche os olhos ao abraçar. Fechamos os olhos para garantir a memória da memória. É ali que a vida entra e perdura, naquela escuridão mínima, no avesso das pálpebras. Concentramo-nos para segurar a dispersão, para segurar a barca ao calor do remo. O rosto é uma estrutura perfeita do silêncio. Os cílios se mexem como pedais da memória. Experimenta-se uma vez mais aquilo que não era possível. Viver é boiar, recordar é nadar. Escrevo na água, no vento da água. O passado sem os olhos fechados é como uma roupa enrugada. Sem corpo. Sem as folhas dos plátanos."

Fabrício Carpinejar.

domingo, outubro 25, 2009

Remember December

Se implorar resolvesse, não me importaria. De joelhos, no milho, em espinhos, agachado, com o cofrinho aparecendo.
Uma loucura qualquer, se ajudasse, eu faria com o maior prazer. Do ridículo ao medo: pularia pelado de bungee jump.
Chorar, se desse resultado, eu acabaria com a seca de qualquer Estado, de qualquer espírito. Mas amor não se pede, imagine só.
Ei, seu tonto, será que você não pode me olhar com olhos de devoção porque eu estou aqui quase esmagado com sua presença? Não, não dá pra dizer isso.
Ei, seu velho, será que você pode me abraçar como se estivéssemos caindo de uma ponte porque eu estou aqui sem chão com sua presença? Não, você não pode dizer isso.
Ei, monstro do lixo, será que você pode me beijar como um beijo de final de filme porque eu estou aqui sem saliva, sem ar, sem vida com a sua presença? Definitivamente, não, melhor não. Amor não se pede, é uma pena.
Revivi tudo o que passamos no verão passado em apenas dois dias. Fui atingido, tomado por lembranças adormecidas na casa de praia de um amigo nosso. Lembra? Mas é claro, você não esquece, ainda mais na situação que estamos.
Sério estava com enormes idéias de textos para descrever tudo que passei lá hoje e ontem, mas simplesmente tudo se envaideceu quando veio aquele “oi” no MSN.
Não, não é a mesma coisa que antes, pois mudei e muito (sendo isso bom ou ruim) mas é que tudo isso me pegou de surpresa e ainda to tentando digerir lentamente.
Por hora lhe agradeço. Voltaram a gritar os teclados espancados de sentidos para traduzir uma alma que já não cabe mais em seu estado natural, mas que está prestes a se encontrar novamente... com a sua.

sábado, outubro 24, 2009

Verdades que não consigo dizer

Você tem cheiro de roupa limpinha com mente suja e eu quero te rasgar inteiro. Mas apenas te dou um beijinho no rosto. Preciso me comportar!

quinta-feira, outubro 22, 2009

The history.

Aqui eu estou, novamente falando comigo mesmo sentado na calçada
Como devo me sentir? Tantas coisas aparecendo na minha mente. Primeiro você quer ser livre e agora você diz que precisa de mim... Mostrando símbolos e sinais misturados, é tão difícil te deixar entrar pensando que talvez você vá pisar no freio de novo. Vou ter que por o pé no acelerador, sair da cidade, tenho que fugir é mais do que posso aguentar. Você disse que me amou primeiro, jogou seu coraçao em contradiçao... Eu tenho que fugir. Não posso ficar voltando para você(mas eu quero) toda vez que você está com vontade de sussurar algo lindo no meu ouvido.É tão difícil seguir em frente porque toda vez que eu penso que você se foi você aparece no meu espelho retrovisor.
É só um retorno? Porque eu tenho que ter certeza que você realmente sente o que diz, tão difícil te deixar entrar pensando que talvez você vá pisar no freio de novo...

* desculpa o desjeito do texto mas é que to postando rápido *
* minha net ta mal... por isso não to postando tanto assim, e obrigado por lêrem *

quarta-feira, outubro 21, 2009

Pensamentos

Porque tudo está voltando novamente? Perguntas infinitas que a meu ver não tem, e não terão respostas definitivas. Porque continuo fazendo tudo isso? Ensaio conversas em frente ao espelho, preparo diálogos meticulosos, decoro respostas perfeitas e certas, com que propósito? Esperança é um dos sentimentos (momento) que o ser humano mais aprecia por se sentir confiante e cheio expectativas, mas, para mim esperança tem sido nada menos que uma “maldição” que me assombra todo santo dia. Fico pensando... meu silencio às vezes falia mais que tudo isso. É o silencio não vai me perdoar por isso... ah... não vai mesmo.


* Foi escrito ontem.. mas hj tudo mudou*

segunda-feira, outubro 19, 2009

Momento

Chega de sorrir para o que não me contenta e me cobrar paciência com um profundo respiro de indignação. Paciência é dom de amor aquietado, pobre, pela metade. Calma, raciocínio e estratégia são dons de amor que pára para racionalizar. Amor que é amor não pára, não tem intervalo, atropela. Não caio na mesma vala de quem empurra a vida porque ela me empurra. Ela faz com que eu me jogue em cima de você, nem que seja para te espantar. Melhor te ver correndo pra longe do que empacado em minha vida. Talvez meu amor tenha aprendido a ser menos amor só para nunca deixar de ser amor...

Weekend

Sem risinho eu mantive o pedido, fazendo dele algo mesmo. Um murro, você escolhe o lugar. É isso mesmo? Claro que não, seria terrível conviver com isso. Então espero do fundo da minha alma que você possa continuar ouvindo isso sem jamais me saciar. Mas era um minuto tão escuro de uma hora que nem existe, então, quis te dar essa honestidade que nem poderia ser contada pra não perder seu caráter. Eu queria mesmo era um murro. Não o dado porque se ama, o dado com a secura e a realidade de não significar NADA. Pra ver se mata ou acorda isso que, também em nome da realidade e da secura, não vou significar.


* escutar Reção em Cadeia depois de vivenciar certas cenas hoje... realmente não é saudavel :s *
* e por favor, eu não vou passar por tudooo de novo... ahhhh mas nao vou mesmo!*

sábado, outubro 17, 2009

Lonely?

A solidão, quando toma conta assim de alguém, quando não dá outras alternativas, passa a ser mais de uma solidão. Tem solidão de gente, de espaço, de vida. Plural de solidão é vazio existencial. Mas eu estou viva, não estou? As pessoas estão todas aí, não estão? Só me falta somar ao invés de substituir e viver ao invés de escrever. Dá licença, vou até ali fazer diferente. 

"Desisti de sustentar uma imagem e procurar o amor da minha vida no caminho. Quem quiser olhar pra mim vai ter que se conformar com minhas Havaianas roxas e meu cabelo despenteado, minha desatenção e minha falta de correspondência. Ando abatida e pensando demais..."

Monge

Eu posso entrar?
Só depois que você parar de dizer “eu”?
Posso entrar?
Você continua sendo primeira pessoa.
O que eu tenho que fazer, afinal?
Parar de falar “eu”?
E como eu faço isso?
Tá fazendo de novo.
Ai, ai, ai.
Você está muito focada na sua dor.
Quem, eu?
Lá vem você com “eu” de novo.
Como eu faço pra não falar “eu”.
Sem comentários.
Melhor eu voltar outro dia?
Sem comentários.
Olha, eu to me esforçando, senhor monge.
Sem comentários.
Eu volto outro dia.
Sem comentários.
O seu problema é comigo?
“Comigo” é o mesmo que falar “eu”.
É ou não é comigo?
Melhor mesmo você voltar outro dia.
Mas eu não quero.
Sem comentários.
Eu não posso, tenho várias coisas pra fazer e arrumei esse tempinho para meditar hoje, quebra meu galho?
“Meu” também não pode, é pior do que “eu” e “comigo”.
Meu Deus!
Sem comentários em dobro.
Enfim, to indo.
Tudo bem.
Mas eu realmente quero entrar em contato comigo e descobrir o meu verdadeiro eu.
“Eu”. “quero”, “comigo”, “meu”. Volte outro dia.
Enfim, o melhor que eu faço então…
É defintitivamente voltar outro dia.
Mas eu quero ficar!!!! Eu quero ficar!!!
Sem comentários!!! Sem comentários!!!
Olha, caro monge, porque você não vai se fu…
Pode entrar.

quinta-feira, outubro 15, 2009

Ate the thing

É entre a curiosidade da minha tristeza e a vontade de ligar para alguém esquecido. Um misto de arrogância primitiva com medo de começar a chorar e não parar nunca mais. Foi quase isso que senti ao vê-lo entrar no café. Não sei exatamente porque quando trata-se de feijoada como só porque é o que me colocam na frente mas não dou conta do prato inteiro.

segunda-feira, outubro 12, 2009

domingo, outubro 11, 2009

Fatos

Eu queria arrancar o romantismo de dentro de mim. Queria que meus anticorpos se tocassem e partissem para o combate contra todo esse blá blá blá de amor. Cansei de esperar a declaração de alguém como nos filmes e livros, ninguém está esperando pra me dizer que me amou a vida toda. Cansei de me apaixonar por olhos piedosos, de viver a espera de alguém que talvez nem exista, cansei! E, não, isso não é um desabafo. Simplesmente as veses necessito colocar em escrito apenas para relembrar certas realidades, que, para meu próprio bem me deixam com os pé no chão. Assim a (suposta) verdade bate mais forte no rosto e me acorda mais rapido.

Free²

-Where is it? Where is it, Max? Max?
-He ate it.
-Yes. I don't believe you.
-Look For Yourself... he ate my heart.
-I see.
-He downed the whole thing... in one efficient gulp... like a beautiful monster... then took off into the city.
-Oh, Max
-And now I just feel... I feel so...
-Empty?
-No... No...
-Max?
-Free... I feel free!

sexta-feira, outubro 09, 2009

Nada!

Para não sofrer eu vou me drogar de outros, eu vou me entupir de elogios, eu vou cheirar outras intenções. Vou encher minha cara de máscaras para não ser meu lado romântico que tanto precisa de um espaço para existir ridiculamente. Não vou permitir ser ridículo, nem uma lágrima sequer, nem um segundo de olhar perdido no horizonte, nem uma nota triste no meu ouvido. Eu sei o quanto vai ser cansativo correr da dor, o quanto vai ser falso ignorar ela sentada no meu peito. Mas vou correr até minha última esquina. Vou burlar cada desesperada súplica do meu coração para que eu pare e sofra um pouquinho, um pouquinho que seja para passar. Suor frio da corrida, sempre com sorriso duro no rosto e o medo de não ser nada daquilo que você me fez sentir que eu era. Muito perfume para esconder os buracos de solidão. Muita roupa bonita para esconder a falta de leveza e de certeza do meu caminho...
Eu nunca vou entender. Eu nunca vou saber porque a vida é assim. Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um ao lado do outro. Eu só sei que agora eu vou tomar um banho, vou esfregar a bucha o mais forte possível na minha pele e vou me dizer pela milésima vez que essa foi a última vez que vou ficar sem entender nada.

quinta-feira, outubro 08, 2009

Aviso Prévio

Entrei na sala escura e pequena. Senti uma claustrofobia enorme. Abre aí uma janela, liga o ar, qualquer coisa. Não, tinha que ser jogo rápido. Diga logo ao que veio que eu tenho mais o que fazer. Eu vim pedir demissão. Disse. Já me arrependendo. Mas preferindo isso do que ser demitida por incompatibilidade ao cargo. Ele me olhou, olhou, olhou de novo. Por cima dos óculos. Então você quer se demitir do amor? Isso mesmo, querido chefe coração. Eu quero desaparecer daqui. Quero que você se exploda. Veja bem. Um dia lindo lá fora. Quinhentas coisas pra fazer. E eu presa aqui o tempo todo. Nessa salinha mofada. Trabalhando vinte e cinco horas por dia sem dormir, sem ver a luz do dia e sem ganhar nada por isso. Vivo exausto e abatido. Chega. Isso é trabalho escravo. Você me deve férias há anos. Você sempre me garante que agora, agora finalmente é a minha vez. Vou crescer na empresa. Vou me dar bem. Vou ter aumento. Mas nunca é a minha vez. Vou morrer estagiário se continuar aqui. Sempre que estou saindo pra almoçar, você aparece em minha mesa e me dá papeladas e mais papeladas de angústias e ciúmes. E mais uma vez deixo de comer pra cuidar de você. Sempre que estou saindo pra me divertir um pouco, esquecer o dia desgastante, esquecer que você me suga, esquecer que bato cartão diariamente numa empresa que jamais me valoriza, você aparece e me dá papeladas e mais papeladas de saudades e fidelidades. E nisso os dias passam e não saio do mesmo lugar. Mas olha. Está um dia tão bonito lá fora. E são tantos outros empregos que posso arrumar. Minha bunda, por exemplo, tá precisando de um reforço já faz tempo mas eu nunca apareço. Ela está quase falida. Meu cérebro, coitado, já desistiu de me oferecer mais dinheiro pra me levar daqui. Eu sempre acabo ficando. Escravo seu. Seu explorador desgraçado. Eu quero a demissão agora. Quero viajar com carro conversível e cantar. Quero trepar com alguém que você não goste sem ser bipado por você na hora H. Sem ter que voltar correndo pra fazer suas vontades imperantes. Já que não tem final de semana, madrugada ou Carnaval, esse é o jeito. Demissão. Desisto. Me demito. O quê? Aviso prévio. Quem disse? É lei. Tá bom. Aviso prévio. Mas eu te juro, só mais uma semana. Aproveita bem que está acabando. E se você for esperto, metade do que bota banca que é, me contrata antes de me perder pra sempre.


; )

quarta-feira, outubro 07, 2009

Karma

"Tinhas razões que tanto te irritam porque você só finge entender. Tentar me entender foi um grande desperdício de tempo. Eu nunca me apaixonei por você, mas sempre gostei muito. Principalmente porque achei que você gostasse de mim. Admirei seu coração e respeitei seus medos. Agora, já não sei se ainda sinto. Lembra da minha coleção de decepções? Você faz parte dela agora. Não definitivamente pela minha mania de preferir acreditar na inocência. Foi tudo uma coincidência até que se prove o contrário. Foi algum tipo de vingança ou foi só por acaso? Qualquer das opções foi muito infeliz(pra mim, é claro). Se você queria me ver mal, acertou muito. Mas conquistou um sentimento meu desaconselhável. Certo, vamos parar com códigos e ir direto ao ponto. (...) você não tem idéia da profundidade que você acessou. É coisa de uma vida inteira, são comprovações de tudo de mais podre que me persegue. É profundo o suficiente pra eu querer você longe, só pra voltar a fingir que não existe. É muita mágoa e agora você faz parte disso. A classe dos suscetíveis à superficialidade, dos que preferem a mediocridade e arriscam a possibilidade. Se isso te afeta eu não sei, mas quando você ganhou a "amizade" de msn dele denovo, perdeu tudo o que eu guardava pra você. Se você não quis, ótimo. Eu falei que você me procurasse se minha "amizade" causasse algum interesse, mas já entendi o não. Foi melhor que falar. Obrigada por abrir meu olhos. Eu sempre achei que avisar as pessoas do que eu sinto fosse me prevenir de mais decepções, mas eu percebi que só me deixa mais vulnerável. Idiota fui eu, de acreditar cegamente em tudo. Obrigado por me deixar mais seletivo, mais fechado. Seria ridículo culpar você por alguma coisa. O resultado óbvio de tudo o que eu fiz só podia ser isso. Foi melhor que falar."

Eu sei que você não se importa, mas ai diz tudo. Prometi não teria mais "você's" nos textos, pois esgotei de redirecionar meus sentimentos á você, quem não se importar mais agora sou eu(eu sei, você não se importa com isso também ;) . Bem... agora seu karma voltou, não tenho mais com o que me importar mesmo, não é?

terça-feira, outubro 06, 2009

Berro em pé

E foi então que o sinal soou e eu berrei, de pé, com os braços muito esticados para o alto. Completamente sozinho. Seguido por caretas, dedos apontados e pelos sons de risos descontrolados, palmas e uivos de todo mundo.
Essa é minha última lembrança antes de me sentir envelhecendo. Como uma criança que comemora sozinha. Como um louco que não aguenta isso tudo que é tão bom e terrível e não disfarça mandando bilhete anônimo e nem se escondendo em grupos de risos e chacotas.
E assim se seguiram todos os meus dias, até aqui. É sempre pra essa cena que volto, quando tenho a impressão muito convincente de que sinto os sinais que tocam com muito mais dor e grito e alegria que as pessoas que ficam na espreita dos que ansiosamente não suportam muito não ser puros.
Na hora eu quis morrer de vergonha, ódio e medo, mas hoje eu vejo que desde o começo eu sabia da maldade mas preferi, como troca justa com o que minha história ainda tinha pra me contar, dar uma chance, até o fim, para que o mundo pudesse me amar do tamanho que a gente ama o mundo aos doze anos.

segunda-feira, outubro 05, 2009

Free

Hoje de manhã eu acordei e fiquei olhando para tudo catatônico, um misto de susto com deslumbramento.Me dei conta de que essa é a pior e a melhor fase da minha vida. Eu nunca andei tão triste e nem tão feliz. Foi difícil enterrar tantos mortos e tantas rotinas, mas está sendo muito fácil viver dentro de mim.




''o tempo passa. mesmo quando isso parece impossível. mesmo quando cada batida do ponteiro dos segundos dói como o sangue pulsando sob um hematoma. passa de modo inconstante, com guinadas estranhas e calmarias arrastadas, mas passa. até para mim.''

domingo, outubro 04, 2009

O final

E essas coisas que vou conseguir, essas coisas que eu vou abandonar de vez e até essas coisas
que eu nem sei que ainda preciso. Tudo isso aguarda por mim.
A casa tá quietinha coitada, nem a geladeira estrala mais aquele tanto. Estão todos querendo
que eu volte, mas ninguém vai me encher, ninguém vai me apressar. Alma não é sonâmbula, nem
metade, nem sombra. Por isso mesmo que às vezes demora tanto...

De pedra

Ainda assim, ainda que eu esteja cercado de tantas coisas tão corretas quanto a cama ser algo para deitar, eu me pergunto: por que o mundo é tão estranho? Por que o telefone não toca? Porque eu estou aqui, mais uma vez, deitado na minha cama, achando tudo tão triste e solitário e estranho?
Canta David, canta seu louco de pedra. Onde é que está esse filho da puta desse homem que sold the world? Canta. Eu te entendo. Eu sou só um garotinho careta sem tatuagens e com medo de queijo vencido. Mas eu te entendo. Não faz mesmo sentido essa pia, essa tarraxinha, esse silêncio, essa porra de campainha que ninguém toca. Não faz sentido.
Mas essa música não é do Nirvana? Eu te entendo Kurt. Te entendo, cara. Eu não vou pular da janela não. Eu tenho medo de tomar sereno. Mas eu te entendo seu louco de pedra filho da puta. Venha como você é. Venha. Mas ninguém vem. E quando vem, ninguém vem como é. Lá fora todo mundo anda sorrindo e dando opiniões cheias de inteligência sobre o último filme do cinema. Mas ninguém liga pra ninguém e fala: não é louco demais viver em um mundo onde a pia desaba e as tarraxinhas aparecem do nada enquanto o David canta a música que inspirou o Nirvana?
Viver é louco demais. Mas ninguém fala isso, ninguém fala. E eu me sinto tão absurdamente sozinho. Sozinho e hipócrita, porque eu também não vou ligar pra ninguém e falar que o mundo é louco demais.
Eu vou continuar sendo inteligente em almoços, e criando campanhas bonitas com criancinhas inteligentes, e fazendo comentários inteligentes em jantares e parecendo alguém normal com uma pitadinha de humor britânico.
E eu vou continuar absurdamente sozinho aqui, na espera do homem que sold the world. Na espera de comprar o mundo de volta e ordenar que você volte. Volte agora seu louco de pedra...

sexta-feira, outubro 02, 2009

Always

É... porque, quando você está com medo da vida, é na minha mania de rir de tudo que você
encontra forças. E, quando você está rindo de tudo, é na minha neurose que encontra um pouco
de chão. E, quando precisa se sentir especial e amado, é pra mim que você liga. E, quando
está longe de casa gosta de ouvir minha voz pra se sentir perto de você. E, quando pensa em
alguém em algum momento de solidão, seja para chorar ou para ter algum pensamento mais
safado, é em mim que você pensa. Eu sei de tudo.

Já chorei muito, já doeu muito esse coração. Mas agora tô, ó, tá vendo? De pedra. Uma tora.
Um macho.

quinta-feira, outubro 01, 2009

I woke up when September ended.

Pra onde foi a minha inspiração? Cadê? Uma preguiça de acordar. Uma preguiça de tomar banho, escolher uma roupa, escolher entre bolo de chocolate e suco de laranja. Tudo parece ter o mesmo gosto falso de paliativos. De forte somente a preguiça de contar de tantas preguiças.
Da cartilha do sucesso, que manda estudar, amar o que se faz e se relacionar bem, apenas amei. Nem isso faço mais. Sou um péssimo aluno.
Tenho a impressão de ter chegado ao topo de uma montanha, mas ela era muito alta e afastada e ninguém me viu.
Em vez de sucesso sinto segundos desejáveis de suicídio, vontade de pular lá de cima da montanha com o dedo desejando um último foda-se ao mundo. Nem que seja para fazer barulho e sujar o chão dos equilibrados. Nem que seja para fazer falta.
Cadê o gosto intenso de fugir do mundo com um segredo fatal? Não existem segredos fatais: todo mundo come todo mundo por caça e infelicidade. Somos animais tristes e não seres loucos e apaixonados. Eu me enganei tanto com o ser humano que ando com preguiça de me entregar.
Ninguém tem coragem pra mudar nada, ou apenas é inteligente para saber que a rotina chega de um jeito ou de outro, não adianta se mover.
Pra quem faço falta e aonde me encaixo? Aonde sou útil e pra quem sou essencial? Pra onde vou e aonde descanso? Pra quem e por quem vivo



Alguem...? '~'

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